Entulho pode ser reaproveitado
Qualquer pessoa que já tenha acompanhado uma reforma sabe que entulho vai para o lixo. Mas, numa rápida conversa com as demolidoras, descobre-se que todo o material pode ser comercializado. Há 20 anos no ramo de demolição, João Humberto Camargo vende esquadrias, portas, janelas, ferragens, louça sanitária, madeiras e telhas, além de tijolos inteiros. Os restos de alvenaria vão para o lixo, mas também teriam serventia. Na escola de pedreiros do Senai do Tatuapé, os professores ensinam os alunos a usar entulho em construções novas. Os resíduos de alvenaria são triturados em um pequeno moinho e, depois, substituem dois terços da areia na mistura da argamassa aplicada em peças não estruturais. Nas obras experimentais da instituição, esse recurso reduziu a quantidade de sobras em 90%, “além de gerar economia”, diz o instrutor José Carlos Rocha. A contenção de gastos começa no descarte: acima de 1 m³, é preciso contratar uma caçamba, que sai em média por R$ 250 (4 toneladas). Se tiver madeira, plástico ou vidro, sobe para R$ 350. A prefeitura de São Paulo também não joga entulho fora. Está utilizando as 64 mil toneladas de resíduos da demolição dos edifícios São Vito e Mercúrio, no centro da cidade, para substituir brita e areia na pavimentação de ruas. Resultado: economia de R$ 3,2 milhões nos gastos com aterro, que cobra para receber os resíduos.
17 mil toneladas de lixo são recolhidas diariamente em São Paulo.
5 400 toneladas vêm só de resíduos de construções.
R$ 3,2 milhões foram economizados pela prefeitura com a utilização de entulho britado na pavimentação de ruas.
R$ 12 mil é o valor da multa por descarte ilegal de resíduos inertes.
O que diz a Lei
Desde 2002, é proibido jogar entulho em aterros comuns. A resolução nº 307/2002, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que vigora desde junho de 2005, define como deve ser o descarte e quais são os riscos ambientais relacionados a cada material. Em São Paulo, a prefeitura criou as Áreas de Transbordo e Triagem (ATT) para dar um destino seguro aos resíduos. Conheça a lei.
Até 1 m³ (= 1 tonelada): 43 ecopontos espalhados em todas as regiões da cidade recebem gratuitamente pequenas quantidades de entulho, podas de árvores e restos de móveis.
Acima de 1 m³: caçambas cadastradas na prefeitura levam o material para uma das cinco ATT. O preço médio, para 4 e 5 toneladas, é de R$ 300. Peça uma via do documento que comprova o descarte em área licenciada.
Design Juliana Sidsamer e Luiz Gustavo Silviano
Ilustrações Jonas Meirelles





