Itens de demolição conferem exclusividade à obra

Recuperar materiais de demolição é uma medida valiosa: além de poupar o meio ambiente reusando algo que iria para o lixo, o efeito é um visual exclusivo.

Nova porta velha

O olhar treinado da arquiteta e designer Adriana Yazbeck, de São Paulo, descobre preciosidades nas caçambas de obra. Mas foi num ferro-velho queela encontrou esta porta abandonada. “Estava vasculhando em busca de objetos quando a vi jogada num canto”, lembra. O projeto original do espaço, de linhas retas, mudou para receber o novo item. “Foi preciso reformá-lo, lixar e passar zarcão. depois, apliquei esmalte sintético.” Atenção: antes da pintura, desempene a peça e elimine os pontos de ferrugem, que aumentam se não forem tratados.

 

 

 

 

 

 

 

Madeira em cena

 

Fãs de design, mãe e filhas fizeram um pedido à arquiteta Simone Meirelles: queriam levar aconchego para seu apartamento em São Paulo. “a madeira de demolição contrasta com os móveis coloridos que elas tanto apreciam e destaca o conjunto”, observa a profissional. Para a instalação da bancada, as réguas de peroba (Novo Millenium Pisos) foram cortadas na medida exata e pregadas sobre o móvel de laca branca. Depois, ganharam seladora fosca no acabamento. Atenção: confira se a madeira passou por descupinização recente e se é de fato antiga (não só com esse aspecto). 

 

 

 

 

 

 

 

 

Azulejos da infância

Quando chegou a hora de escolher o acabamento do lavabo, a única dúvida era quantas paredes o mosaico cobriria. O projeto do arquiteto paulista Carlos Verna terminou com apenas uma face decorada e histórias curiosas. “Não há visita que deixe de reconhecer ali o azulejo da casa onde viveu quando criança”, fala Cris Maccarone, a moradora, que garimpou dez lojas de antiguidades para reunir as 280 peças. Espelho da coisas da Doris. Atenção: monte uma paginação prévia para guiar o trabalho do instalador.

 

 

 

 

 

 

 

 

Peroba de alto a baixo

Para transformar este living em espaço gourmet, não bastou realocar os pontos de hidráulica e gás. Foi preciso rever os acabamentos. “O apartamento trazia mármore travertino navona no piso. Usamos a peroba de demolição para aquecer o ambiente”, revela Maria Paula Brasil, sócia da irmã Maria Claudia no escritório Maria brasil arquitetura, de São Paulo. Depois, o painel com réguas de 15 cm ganhou cera e polimento. panela da Casa Canela. Atenção: se o lote da madeira não for suficiente, misture outras espessuras e tonalidades.

 

 

 

 

 

Tijolos em evidência

A casa de campo era pouco tradicional, com muito vidro e detalhes de aço. Para dar um toque rústico, o arquiteto Felipe Alcici, de são Paulo, usou tijolos antigos aparentes (construvelho) no revestimento das paredes. “Optamos por assentá-los sem rejuntes sobre a alvenaria, a fim de realçar o formato irregular”, conta Felipe. Na parede ao fundo, eles são desencontrados. Resina fosca aplicada com pistola protege as peças. Louças da D. Filipa e banco da marcenaria baraúna. Atenção: procure por lotes com tijolos sólidos e bordas firmes.

 

 

 

 

 

 

 

 

Divisória camuflada

A peroba de demolição é o mesmo material da porta pivotante e do painel com réguas de 15 cm (aroeira decor) que forra a parede da sala de estar. Ao criar o projeto, a ideia do arquiteto Felipe Rassini, de São Paulo, era atender o pedido dos moradores, que queriam uma casa aconchegante, mas com poucos elementos. “Depois de instalada, a madeira foi lixada, clareada com ácido e encerada para ficar com uma tonalidade única”, conta o arquiteto. Coelho da Coletivo Amor de Madre. Atenção: deixe um vão de 1 cm em cima e embaixo do painel para permitir a dilatação do material.

Reportagem: Deborah Apsan, Silvia Goichman (visual) e Lara Muniz (texto) Design: Júlia Blumenschein Fotos: Eduardo Pozella

Fonte: Casa.Abril